Metadados do trabalho

Ludicidade E Educação Ambiental Na Educação Infantil: Uma Revisão De Literatura

Maria de Lourdes Oliveira Porto; Ana Lúcia Santos Souza; Ludimila Lino dos Santos

Este trabalho tem como objetivo analisar de que forma a ludicidade pode contribuir para o ensino-aprendizagem da Educação Ambiental na Educação Infantil, com base na revisão de artigos científicos. A pesquisa apresenta uma abordagem qualitativa, com ênfase na análise de conteúdo, por meio da categorização dos dados extraídos de dez artigos científicos selecionados por critérios previamente definidos. A análise evidenciou que o uso de atividades lúdicas, como jogos, contação de histórias, músicas e brincadeiras, contribui significativamente para a construção de valores ambientais, o desenvolvimento de atitudes de cuidado, empatia e respeito à natureza pelas crianças, além de favorecer a participação ativa no processo educativo. Os resultados demonstram que a ludicidade, quando integrada de forma intencional ao currículo da Educação Infantil, potencializa o ensino da Educação Ambiental, promovendo aprendizagens significativas. O estudo também destaca a necessidade de formação continuada dos professores para que estejam preparados a utilizar práticas lúdicas com embasamento pedagógico e ambiental.

Palavras‑chave: Ludicidade; Educação Ambiental; Educação Infantil  |  DOI: 10.29380/2026.E05.2197

Como citar este trabalho

PORTO, Maria de Lourdes Oliveira; SOUZA, Ana Lúcia Santos; SANTOS, Ludimila Lino dos. LUDICIDADE E EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL: UMA REVISÃO DE LITERATURA. Anais do Colóquio Internacional Educação e Contemporaneidade, 2026 . ISSN: 1982-3657. DOI: https://doi.org/10.29380/2026.E05.2197. Disponível em: https://www.coloquioeducon.com/hub/anais/2197-ludicidade-e-educac-ao-ambiental-na-educac-ao-infantil-uma-revis-ao-de-literatura/. Acesso em: 29 abr. 2026.

LUDICIDADE E EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL: UMA REVISÃO DE LITERATURA

Palavras-chave

Ludicidade; Educação Ambiental; Educação Infantil

Autores

  • Maria de Lourdes Oliveira Porto
  • Ana Lúcia Santos Souza
  • Ludimila Lino dos Santos

Na infância, o brincar ocupa um papel central no desenvolvimento integral da criança. É  por meio das atividades lúdicas que ela descobre o mundo, interage com o outro e constrói  conhecimentos de forma prazerosa e significativa. Segundo Luckesi (2011), quando o ser  humano age ludicamente, ou seja, quando participa de atividades que envolvem o imaginário,  o prazer e a criatividade, ele vivencia uma experiência plena. Isso significa que, ao brincar, a  criança está envolvida com atenção, curiosidade e emoção.  

Diante dos desafios socioambientais enfrentados pela sociedade contemporânea, torna-se  urgente inserir, desde os primeiros anos escolares, uma formação voltada à consciência  ambiental. Nesse sentido, é possível trabalhar a Educação Ambiental (EA) de forma lúdica,  objetivando conectar as crianças com a natureza e potencializar o desenvolvimento de atitudes  sustentáveis de maneira significativa e prazerosa. Assim, unir ludicidade e EA configura-se  como uma estratégia didática potente, capaz de contribuir para a formação de cidadãos críticos,  responsáveis e sensíveis às questões ambientais, ao mesmo tempo em que respeita as  características da infância e potencializa o processo de ensino e aprendizagem.  

A abordagem do presente trabalho justifica-se pela relevância de integrar a ludicidade como  estratégia pedagógica na Educação Infantil (EI), especialmente no ensino da EA. Considerando  que o brincar é a principal forma de expressão e aprendizagem das crianças, utilizar atividades  lúdicas para abordar questões ambientais torna o processo educativo mais atrativo, significativo  e adequado à realidade infantil.  

A inserção da EA desde os primeiros anos escolares torna-se essencial para construir uma  base sólida de valores e comportamentos voltados à preservação do meio ambiente. Neste  sentido, a pesquisa busca contribuir com o campo educacional ao oferecer subsídios teóricos  que incentivem educadores a promover práticas educativas mais criativas, contextualizadas e  eficazes, que articulem o lúdico ao desenvolvimento de uma consciência ecológica crítica e  transformadora, desde a tenra infância.  

A EA surge como um caminho necessário para despertar valores e atitudes sustentáveis,  mas enfrenta desafios em sua inserção prática no contexto infantil. Nesse sentido, a ludicidade  revela-se uma estratégia pedagógica eficaz, por estar alinhada à natureza da infância e por  possibilitar aprendizagens significativas, prazerosas e conectadas com o cotidiano das crianças.  Assim, a presente pesquisa tem como questão norteadora: de que forma a ludicidade pode  contribuir para o ensino e aprendizagem da EA na EI? Esta pesquisa tem como objetivo geral 

 

analisar, a partir de uma revisão de literatura, como a ludicidade vem sendo incorporada ao  ensino e aprendizagem da EA na EI. Especificamente, busca-se: (i) analisar o papel da  ludicidade como estratégia pedagógica e (ii) identificar potencialidades e desafios da EA para  o público infantil.

O referencial teórico deste estudo tem como objetivo fundamentar a importância da  ludicidade na EI e sua articulação com a EA, considerando os marcos legais e pedagógicos que  orientam a prática educativa no Brasil. 

2.1 A ludicidade na Educação Infantil  

A ludicidade é uma característica intrínseca da infância, sendo o brincar uma das  principais formas de expressão da aprendizagem das crianças. Na EI, o lúdico não apenas  entretém, mas também desempenha um papel fundamental no desenvolvimento das crianças  em vários aspectos. Assim, o lúdico pode ajudar a construir significados, assimilar papéis  sociais e valorizar as relações afetivas para a construção do conhecimento (Silva; Barros;  Rodrigues, 2021).  

A ludicidade não deve ser tratada como um recurso secundário, mas sim como elemento  estruturante do processo educativo na infância. Quando integrada de maneira consciente ao  planejamento pedagógico, a ludicidade proporciona aprendizagens significativas, favorece a  construção do conhecimento e fortalece o vínculo entre a criança, o educador e o ambiente  escolar. As atividades lúdicas, quando bem planejadas e orientadas, contribuem positivamente  para o desenvolvimento integral da criança, abrangendo aspectos psicológicos, cognitivos,  físicos, motores e sociais, além de favorecer a construção de valores éticos (Bacelar, 2009). 

A ludicidade, ao possibilitar que a criança aprenda de forma espontânea e prazerosa,  também favorece o desenvolvimento da autonomia. Ao escolher como brincar, com quem  brincar e o que usar no jogo simbólico, a criança exercita sua capacidade de decisão, sua  iniciativa e seu senso de responsabilidade. Essa autonomia, construída desde a primeira  infância, é essencial para formar sujeitos mais críticos e conscientes, inclusive em relação às  questões ambientais. Como destaca Oliveira (2012), o brincar possibilita à criança agir com  liberdade e explorar o mundo a seu modo, criando sentidos próprios e construindo sua  identidade. 

Por meio do brincar coletivo, as crianças aprendem a lidar com regras, a dividir, a  esperar sua vez e a resolver conflitos. Essas situações favorecem o desenvolvimento da empatia, 

da cooperação e do senso de justiça, habilidades fundamentais para a convivência social e para  a construção de uma cultura de cuidado com o outro e com o meio ambiente.  A ludicidade também tem grande potencial para enriquecer o repertório cultural das  crianças. Brincadeiras tradicionais, cantigas, histórias contadas e dramatizações permitem que  elas entrem em contato com diferentes expressões culturais, promovendo o respeito à  diversidade e o reconhecimento de outras formas de ver e viver o mundo.  Por fim, é importante destacar que a ludicidade não deve ser vista como "tempo livre"  ou "recreação sem finalidade". Quando bem planejado, o brincar se torna um recurso  pedagógico potente, capaz de integrar diferentes áreas do conhecimento e de promover aprendizagens significativas. Jogos que envolvem cores, formas, números, sons e movimentos  podem ser articulados com objetivos curriculares de linguagem, matemática, ciências e artes,  sem que a criança perceba essa estruturação.  

2.2 Sobre a Educação Ambiental 

A EA pode ser definida de diferentes formas, mas seu fundamento sempre será o mesmo:  desenvolver na sociedade a capacidade de preservar e conservar o meio ambiente. Assim, a EA  é um processo contínuo que visa promover mudanças de atitude, despertando a consciência  sobre a importância da preservação dos recursos naturais e da sustentabilidade do planeta. 

A EA pode contribuir para a construção de sociedades sustentáveis ao promover uma  formação crítica e participativa, que estimula a conscientização sobre a interdependência e  diversidade das relações sociais e ecológicas. Ela busca gerar responsabilidades individuais e  coletivas, tanto em níveis locais quanto planetários, e transforma a relação dos sujeitos com o  ambiente. Além disso, a educação ambiental deve ser um processo contínuo de aprendizagem  que afirma valores e ações voltadas para a justiça social e a preservação ecológica (Tozoni Reis, 2006; Carvalho, 2020). 

A Educação Ambiental, quando pensada para a infância, precisa considerar não apenas  os conteúdos a serem trabalhados, mas principalmente o modo como esses conteúdos são  apresentados às crianças. Assim, o cuidado com o meio ambiente deixa de ser um discurso distante e passa a fazer parte da vivência concreta das crianças no ambiente escolar. Guimarães  (2004) destaca que, muitas vezes, os projetos ambientais nas escolas se limitam a transmitir  informações ou esperam mudanças de comportamento isoladas, sem levar em conta o contexto  em que a criança vive.  

2.3 Aspectos metodológicos

Esta pesquisa possui abordagem qualitativa, por permitir a compreensão de significados  e interpretações construídas a partir das perspectivas dos autores analisados, conforme propõe  Yin (2016). Trata-se também de uma pesquisa de natureza bibliográfica, desenvolvida a partir  de materiais já publicados, como livros, artigos científicos e trabalhos acadêmicos, conforme  definido por Gil (2002). A finalidade é investigar de que maneira a ludicidade tem sido abordada  no processo de ensino e aprendizagem da EA na EI  

Para isso, foram considerados como critério de seleção artigos científicos completos que  abordassem, de forma articulada, os temas da ludicidade, EA na EI, produzidos prioritariamente  na última década (2014 a 2024). Inicialmente, foi utilizada a base de dados da plataforma  SciELO Brasil. No entanto, não foram encontradas publicações que incluíssem os três  descritores simultaneamente — "ludicidade", "Educação Ambiental" e "Educação Infantil".  Diante disso, recorreu-se ao Google Acadêmico, onde foram localizados 50 trabalhos, entre  artigos científicos, dissertações e teses. Após análise criteriosa, foram selecionados 10 artigos  científicos que atendiam aos critérios temáticos propostos nesta pesquisa, formando o corpus  do estudo. Os critérios de exclusão adotados foram: dissertações e teses, por não se tratarem de  artigos científicos completos, e trabalhos fora do recorte temporal estabelecido.  

Os dados desta pesquisa foram analisados com base no Ciclo de Análise de Robert Yin  (2016), que compreende cinco fases interdependentes: compilação, decomposição,  recomposição, interpretação e conclusão, conforme demonstrado na Figura 1, a seguir.  Figura 1 – Etapas do processo de análise de dados em estudos qualitativos 

Fonte: Yin (2016, p. 183). 

A primeira etapa - compilação, consiste na organização e classificação dos documentos  obtidos durante a coleta de dados. Em seguida, ocorre a decomposição, momento em que os  dados são reorganizados com base em temas e similaridade semântica, permitindo a separação 

em temáticos. A recomposição representa a terceira fase, sendo um procedimento de  reestruturação das informações previamente decompostas. Na fase de interpretação, os dados  recompostos são analisados em busca de significados relevantes para a pesquisa. Por fim, a  etapa de conclusão envolve a extração dos principais achados e considerações do estudo. Essa  estrutura tem como finalidade identificar o papel da ludicidade como recurso pedagógico no  contexto da EA voltada ao público infantil, analisando suas potencialidades e desafios. Portanto,  pretende-se compreender de que forma as práticas lúdicas podem contribuir para a formação de  sujeitos conscientes e comprometidos com a preservação do meio ambiente desde os primeiros  anos escolares. 

2.4 Resultados e discussão 

Com base nos artigos selecionados, a presente análise foi estruturada em torno de quatro  eixos principais: ludicidade como estratégia pedagógica, destacando seu papel na facilitação da  aprendizagem de conteúdos ambientais. Em seguida, discutiremos como o lúdico contribui para  o desenvolvimento integral das crianças e para seu engajamento nas práticas educativas. Na  sequência, são exploradas as potencialidades da Educação Ambiental (EA) na Educação  Infantil, considerando sua capacidade de despertar valores, atitudes e vínculos afetivos com o  meio ambiente. Por fim, são apresentados os principais desafios para a efetivação da EA nesse  contexto, como a formação docente e a integração curricular. Esses subtemas permitem  compreender, de forma articulada, como a ludicidade pode potencializar as práticas em EA  voltadas ao público infantil, revelando caminhos e limitações ainda presentes na produção  acadêmica sobre o tema. A organização das categorias e subcategorias está demonstrada na  Figura 2, a seguir. 

Figura 2 – Organograma com as categorias e subcategorias analisadas

Fonte: Elaborado pelas autoras, 2025. 

2.4.1 A ludicidade como recurso pedagógico 

A ludicidade, quando compreendida como parte integrante do processo educativo,  revela-se um recurso pedagógico potente, especialmente na Educação Infantil. Mais do que  entreter, o brincar envolve formas singulares de expressão, comunicação e aprendizagem,  conectando-se diretamente às formas pelas quais as crianças percebem, exploram e atribuem  sentido ao mundo ao seu redor. Nessa perspectiva, o lúdico não atua de maneira acessória, mas  como eixo estruturante das práticas pedagógicas, favorecendo a construção ativa do  conhecimento. Como apontam Nascimento e Dantas (2020), "a ludicidade, como prática  pedagógica, revela-se fundamental para a construção do saber", pois facilita não apenas a  aprendizagem conceitual, mas também aspectos sociais e afetivos, como a criatividade e a  socialização. Assim, ao integrar intencionalmente jogos, brincadeiras e experiências lúdicas ao  cotidiano escolar, o educador amplia as possibilidades de aprendizagem, tornando o processo  mais sensível, participativo e significativo para as crianças.  

Com base nos artigos analisados, é possível identificar também uma abordagem  recorrente que reconhece a ludicidade como um recurso pedagógico essencial na Educação  Ambiental voltada ao público infantil. Trabalhos como os de Câmara (2017), Nascimento e  Dantas (2020), e Machado (2021) reforçam que jogos, brincadeiras e atividades práticas  contribuem para que as crianças atribuam significados aos conteúdos ambientais, desenvolvam  ideias, pratiquem a cooperação, e construam valores aprendizagem agradável, eficiente e  divertido por meio da aprendizagem de conceitos científicos, ações pedagógicas intencionais, 

e que tenha como resultado da mediação lúdicas a resolução de conflitos, partilha,  desenvolvimento emocional, aprendizagem de conteúdo, a criatividade e a interação.  As experiências descritas destacam que o lúdico não se limita ao entretenimento, mas  atua como mediador intencional do processo educativo, promovendo criatividade, imaginação  e participação ativa. Além disso, estudos como os de Klein, Locatelli e Zoch (2019) e Furtado  et al. (2019) apontam que o uso de brinquedos e jogos facilita a aprendizagem de conteúdo,  fortalece habilidades psicossociais, e promove o desenvolvimento integral das crianças.  Observa-se também que a ludicidade favorece a construção de saberes e a consolidação  de processos cognitivos, como ressaltado por Silva e Cavalcanti (2020). Por fim, ao envolver  as crianças de forma afetiva, simbólica e ativa no processo de ensino, as práticas lúdicas  contribuem para o fortalecimento da autonomia, da consciência crítica e do engajamento com  as questões socioambientais, evidenciando a relevância dessa abordagem na formação de  sujeitos sensíveis e comprometidos com o meio ambiente desde os primeiros anos de vida. 

2.4.2 A ludicidade como facilitadora da aprendizagem de conteúdos ambientais  A ludicidade, quando integrada às práticas pedagógicas, revela-se uma estratégia eficaz  para promover aprendizagens significativas na EI. Os artigos analisados indicam que as  atividades lúdicas, como jogos e brincadeiras, não só tornam o processo de ensino aprendizagem mais prazeroso, como também facilitam a apropriação dos conceitos e valores  ambientais pelas crianças, tornando o aprendizado mais concreto e significativo.  Câmara (2017), ressalta que as atividades lúdicas possibilitam que as crianças façam  relações e atribuam significados próprios aos elementos ambientais, promovendo o  desenvolvimento criativo e profundo de ideias e conceitos. A autora destaca que "Cabendo o uso de atividades e ações que permitam às crianças fazer relações e atribuir significados àquilo  com que toma contato nas situações de ensino aprendizagem. Atividades que ofereçam  oportunidades de desenvolver suas ideias e seus conceitos dos elementos ambientais devem ser  utilizadas" (Câmara, 2017, p. 70). Essa afirmação deixa claro que o lúdico ultrapassa a simples  diversão, configurando-se como um meio intencional de construção do conhecimento e  formação de valores.  

Machado (2021) chama atenção para a importância das brincadeiras e jogos como  formas de tornar o aprendizado mais atraente e eficiente. A autora observa que "as atividades  lúdicas para crianças, da educação infantil, podem significar além da aprendizagem, prazer e  divertimento" (Machado, 2021, p. 6). Aqui, o lúdico é percebido não apenas como recurso 

pedagógico, mas também como fonte de bem-estar emocional, o que reforça a importância de  práticas que unem o ensino ao prazer e à diversão. 

Nascimento e Dantas (2020) enfatizam que a ludicidade favorece a construção do saber  ao estimular não só a aprendizagem conceitual, mas também aspectos sociais e afetivos da  criança, como a socialização e a criatividade. Os autores afirmam que "a ludicidade, como  prática pedagógica, revela-se fundamental para a construção do saber" (Nascimento; Dantas,  2020, p. 4), indicando que o lúdico promove um ambiente propício para o desenvolvimento  integral e participativo do educando.  

O uso da ludicidade como facilitadora da aprendizagem ambiental também permite  maior contextualização dos conteúdos, conectando o conhecimento científico à realidade  concreta das crianças. Klein, Locatelli e Zoch (2019) defendem que, ao utilizar jogos e  dinâmicas lúdicas para abordar temas como reciclagem, cuidado com a água e preservação da  natureza, os educadores tornam o conteúdo mais acessível, despertando o interesse e a  participação ativa dos alunos. Segundo as autoras, "o recurso lúdico permite a aproximação do saber ambiental com o cotidiano infantil, promovendo envolvimento e aprendizagem efetiva"  (Klein; Locatelli; Zoch, 2019, p. 229). Essa proximidade entre o conteúdo e a vivência da  criança favorece o aprendizado por meio da experiência, consolidando valores ecológicos de  forma significativa e duradoura. 

2.4.3 A ludicidade como promotora do desenvolvimento integral e do engajamento  Da mesma forma, Santos e Cavalcante (2019) destacam que o lúdico é um instrumento  institucional capaz de estimular o gosto pelo aprendizado e consolidar processos cognitivos  importantes para a formação significativa. Segundo eles, "o lúdico como instrumento  institucional efetivo [...] instiga a uma predisposição ao gosto pelo aprendizado" (Santos; Cavalcante, 2019, p. 3). Esse destaque revela que a ludicidade, ao incentivar o interesse e a  imaginação, pode transformar a relação da criança com o conhecimento, tornando o  aprendizado uma experiência desejada e prazerosa.  

Já Furtado et al. (2019) aponta para o papel fundamental dos brinquedos e jogos no  desenvolvimento psicomotor, afetivo e intelectual das crianças. Os autores concluem que "a  atividade lúdica é, seguramente, uma das maneiras mais eficazes para o pleno desenvolvimento  da criança" (Furtado et al., 2019, p. 7). Reforçando a ideia de que o lúdico não é apenas um  complemento, mas um componente essencial na educação infantil, atuando de maneira  integrada no crescimento global da criança. 

Os estudos analisados apontam para a ideia de que a ludicidade é uma ferramenta  pedagógica poderosa na Educação Infantil, que vai muito além da mera transmissão de  conteúdos. Ao ser integrada intencionalmente às práticas pedagógicas, ela promove o  desenvolvimento integral das crianças, abrangendo dimensões cognitivas, socioemocionais,  motoras, éticas e expressivas, fundamentais para a formação de sujeitos conscientes,  participativos e sensíveis. 

A ludicidade contribui para que a criança compreenda o mundo de forma ativa e  investigativa, possibilitando a experimentação, a curiosidade, o diálogo e a criatividade. Além  disso, o êxito das práticas lúdicas está diretamente relacionado à intencionalidade do educador.  Quando planejadas com propósito pedagógico claro, as atividades lúdicas tornam-se espaços  de vivência, troca e construção de significados, contribuindo não apenas para o domínio de  conteúdos, mas para o fortalecimento de valores, autonomia, criatividade e imaginação desde  os primeiros anos de vida. 

Conforme destaca Oliveira (2012), ao brincar com liberdade e autonomia, a criança  constrói significados, testa hipóteses, expressa sentimentos e interage com o mundo de forma  criativa e investigativa. Essa liberdade de ação contribui para o fortalecimento da identidade,  do senso de responsabilidade e da capacidade de tomar decisões, habilidades essenciais para o  exercício da cidadania ambiental desde a infância. Nesse sentido, o ambiente educativo que  valoriza o lúdico se torna um espaço de escuta, diálogo e construção conjunta do conhecimento. 

2.4.4 Potencialidades e desafios da EA para o público infantil 

A ludicidade, quando integrada de forma intencional às práticas pedagógicas, apresenta  inúmeras potencialidades na Educação Ambiental voltada ao público infantil. Os estudos  demonstram que jogos e brincadeiras favorecem a construção de conceitos ambientais,  promovem a criatividade, estimulam a imaginação e contribuem para o desenvolvimento de  valores como a cooperação, o respeito e a solidariedade (Câmara, 2017; Machado, 2021). Além  disso, a mediação lúdica possibilita experiências educativas que ampliam percepções,  incentivam o diálogo e despertam a participação ativa das crianças no processo de  aprendizagem. No entanto, apesar desses benefícios, desafios persistem. A pouca valorização  do brincar no contexto escolar, a falta de formação dos educadores para planejar ações  pedagógicas lúdicas e a visão limitada do lúdico como mero entretenimento ainda  comprometem sua aplicação efetiva (Furtado et al., 2019). Para que essas potencialidades se  concretizem, é essencial que a ludicidade seja compreendida como ferramenta estruturante da 

aprendizagem, capaz de promover não apenas o domínio de conteúdos, mas também o  desenvolvimento integral e a consciência ecológica desde a infância.  

 

Segundo Nascimento e Dantas (2020), o lúdico não apenas facilita a assimilação de  conhecimentos, mas também estimula o desenvolvimento da afetividade, da socialização e da  criatividade, contribuindo para a formação de sujeitos críticos e sensíveis ao meio ambiente.  Além disso, atividades como jogos e contação de histórias despertam o encantamento e o  interesse, elementos fundamentais para o engajamento infantil nas questões ambientais.

A ludicidade mostrou-se uma aliada poderosa da Educação Ambiental na EI, pois  respeita a linguagem e as formas de aprendizagem da criança. Brincadeiras, jogos, atividades  práticas e narrativas simbólicas tornam-se estratégias eficazes para promover valores ecológicos, desenvolver a curiosidade e fortalecer vínculos afetivos com o meio ambiente. A  presença do lúdico não apenas facilita a assimilação de conceitos científicos, como também  favorece o desenvolvimento integral da criança, abrangendo aspectos cognitivos, emocionais,  sociais e motores. 

Entre os principais desafios identificados, destaca-se a formação dos professores, que  muitas vezes não recebem preparo teórico-metodológico suficiente para articular ludicidade e  EA em sua prática pedagógica. Essa lacuna formativa repercute na adoção de abordagens  conteudistas e pontuais, que pouco dialogam com a vivência das crianças e reduzem as  possibilidades de construção de uma consciência ecológica crítica. O fortalecimento da  formação inicial e continuada dos educadores é, portanto, um passo essencial para a  consolidação de uma EA mais lúdica, participativa e transformadora na infância.  

Outro obstáculo recorrente é a baixa institucionalização da EA nos currículos da  Educação Infantil. Muitas práticas ambientais ainda se restringem a datas comemorativas ou  ações isoladas, o que compromete a continuidade e profundidade do trabalho com a temática.  Para que a EA cumpra seu papel formativo, é necessário que esteja integrada ao planejamento  pedagógico de forma transversal e contínua, considerando a realidade e os saberes infantis, bem  como a valorização do território e da cultura local.  

Por fim, conclui-se que investir na articulação entre ludicidade e Educação Ambiental  na Educação Infantil é investir na formação de sujeitos mais sensíveis, críticos e comprometidos  com a sustentabilidade. A infância, enquanto etapa formativa por excelência, representa uma  oportunidade privilegiada para cultivar valores de cuidado, empatia e respeito ao meio  ambiente. Cabe, portanto, à escola, aos educadores e às políticas públicas fortalecer essa 

 

integração, ampliando o repertório de experiências significativas que contribuam para a  construção de um futuro mais justo, ético e ambientalmente responsável.

Abstract

This study aims to analyze how playfulness can contribute to the teaching and learning of Environmental Education in Early Childhood Education, based on a review of scientific articles. The research adopts a qualitative approach, with an emphasis on content analysis, through the categorization of data extracted from ten scientific articles selected according to previously defined criteria. The analysis revealed that the use of playful activities, such as games, storytelling, songs, and play, significantly contributes to the construction of environmental values, as well as to the development of attitudes of care, empathy, and respect for nature among children. In addition, it promotes active participation in the educational process. The results show that playfulness, when intentionally integrated into the Early Childhood Education curriculum, enhances the teaching of Environmental Education, fostering meaningful learning. The study also highlights the need for continuing teacher education so that educators are prepared to use playful practices grounded in both pedagogical and environmental principles.

BACELAR, Vera Lúcia da Encarnação. Ludicidade e educação infantil. Salvador: EDUFBA, 2009.  CÂMARA, V. O. F. A importância da educação ambiental lúdica: abordagens e reflexões para a  construção do conhecimento infantil. Revista Brasileira de Educação Ambiental (RevBEA), v. 12,  n. 4, p. 60–75, 2017.  

CARVALHO, Isabel Cristina de Moura. Educação ambiental crítica: nomes e endereçamentos da  educação. São Paulo: Cortez, 2020.  

FURTADO, V. Q. et al. A educação ambiental e lúdica no universo da primeira infância. In:  CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (CONEDU), 6., 2019. Anais... v. 3, p. 49–66. KLEIN, C. L.; LOCATELLI, A; ZOCH, A. N. A educação ambiental por meio da ludicidade: uma  proposta didática. Amazônia: Revista de Educação em Ciências e Matemática, v. 15, n. 33, p. 219– 234, 2019.  

LUCKESI, Cipriano Carlos. Ludicidade e atividades lúdicas: uma abordagem a partir da  experiência interna. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 2011.  

MACHADO, E. M. S. R. Educação ambiental e ludicidade na educação infantil durante a pandemia.  2021. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Pedagogia) – Universidade Estadual do Rio  Grande do Sul, Unidade Universitária de Tapes.  

NASCIMENTO, J. S; DANTAS, V. M. C. S. Educação ambiental e atividade extensionista: a  ludicidade como prática pedagógica. Cadernos de Graduação – Ciências Biológicas e da Saúde  (UNIT–Sergipe), v. 6, n. 2, p. 65–74, 2020.  

OLIVEIRA, Zilma de Moraes Ramos de. Educação infantil: fundamentos e métodos. São Paulo:  Cortez, 2012.  

SANTOS, Cláudia Lilian Alves; CAVALCANTE, Kellison Lima. Ludicidade e aprendizagem  significativa na formação de estudantes em educação ambiental: relato de experiência. Revista  Semiárido de Visu, v. 7, n. 1, p. 73–87, 2019.  

SILVA, Ana Paula Fernandes Nóbrega; CAVALCANTI, Eduardo Luiz Dias. Educação ambiental  por meio da ludicidade: em busca do enfrentamento dos problemas socioambientais. In: Encontro  Nacional de Jogos e Atividades Lúdicas no Ensino de Química, Física e Biologia (JALEQUIM  LEVEL III), 2020. Anais...  

TOZONI-REIS, Marília Freitas de Campos. Educação ambiental: natureza, razão e história.  Campinas: Autores Associados, 2006. 

 

YIN, Robert K. Pesquisa qualitativa do início ao fim. Porto Alegre: Penso, 2016.

Encontrou algo a ajustar?

Ajude-nos a melhorar este registro. Você pode enviar uma correção de metadados, errata ou versão atualizada.