Metadados do trabalho

Planejamento E Execução Das Ações De Extensão Na Universidade Estadual De Feira De Santana (Uefs)

Ismario Bispo de Lima; Antônio de Macêdo Mota Júnior

Este trabalho apresenta resultados de um estudo de caso exploratório, descritivo e documental que analisa o planejamento e a execução das diretrizes e ações extensionistas previstas no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), do período de 2017 a 2022, no que concerne aos seus impactos no âmbito acadêmico e na sociedade. No que se refere aos resultados, das treze diretrizes de Extensão e Cultura previstas no PDI 2017-2022, oito foram analisadas que se encontravam diretamente vinculadas à Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) da Instituição, proporcionando resultados de relevância social e de impacto para o ambiente universitário e, consequentemente, para a sociedade, e contribuindo para o pleno exercício do planejamento em uma universidade pública.

Palavras‑chave: Planejamento Institucional; Extensão Universitária; UEFS  |  DOI: 10.29380/2026.E10.1600

Como citar este trabalho

LIMA, Ismario Bispo de; MOTA JÚNIOR, Antônio de Macêdo. PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO DAS AÇÕES DE EXTENSÃO NA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA (UEFS). Anais do Colóquio Internacional Educação e Contemporaneidade, 2026 . ISSN: 1982-3657. DOI: https://doi.org/10.29380/2026.E10.1600. Disponível em: https://www.coloquioeducon.com/hub/anais/1600-planejamento-e-execuc-ao-das-ac-oes-de-extens-ao-na-universidade-estadual-de-feira-de-santana-uefs/. Acesso em: 1 maio 2026.

PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO DAS AÇÕES DE EXTENSÃO NA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA (UEFS)

Palavras-chave

Planejamento Institucional; Extensão Universitária; UEFS

Autores

De acordo com Wanderley (2003, p. 45), a Extensão Universitária emergiu a partir da "[...] tomada de consciência progressiva por parte de estudantes, professores, formados e setores da sociedade em geral, de que a massa crítica de recursos acumulada na universidade deveria necessariamente ser estendida ao maior número de pessoas possível [...]". Em algumas instituições, essa atividade surgiu da noção de privilégio que a universidade ocupa na sociedade. Já em outras, a Extensão despontou a partir da crítica e da constatação de que, por suas singularidades, a universidade pode e deve cumprir ações sociais relevantes. Portanto, ela representa o campo de aplicação dos conhecimentos e saberes produzidos na universidade (Wanderley, 2003).

Para o educador e filósofo Paulo Freire (1983), para a compreensão da Extensão Universitária, é preciso compreender que o saber de uma comunidade, embora distinto do conhecimento científico, também é válido e deve ser respeitado, podendo ser agregado para que o aprendizado na ação extensionista seja mais significativo. Logo, essa ação deve ser capaz de promover uma problematização que dialoga com a realidade da comunidade, conscientizando os sujeitos para o desenvolvimento de uma nova forma de agir.

A Extensão, assim como a universidade, desde o seu início, vem exercendo vários papéis e funções. Essa evolução inicia-se com as atividades complementares, posteriormente adota um cunho assistencialista ao prestar serviços e ofertar cursos. Por fim, ela culmina na concepção mais atual, em que a atividade busca gerar conhecimento para mudança social, passando a ver a sociedade como agente ativo (Silva, 2020).

Por outro lado, como ressaltado por Severino (2009), a Extensão Universitária enfrenta diversos desafios, a exemplo da priorização excessiva da Pesquisa. Além disso, Fontenele (2024) destaca que, na universidade pública, os desafios da Extensão são da ordem política, pedagógica, conceitual, da gestão, normativa e operacional. Logo, essa complexidade perpassa significativamente pela problemática do financiamento e da dificuldade em garantir condições e aportes institucionais para o desenvolvimento das ações extensionistas, o que precariza ou inviabiliza seu impacto social junto à comunidade.

É nesse cenário que as atividades de Extensão Universitária necessitam estar previstas no planejamento institucional e no orçamento das universidades públicas, dada a sua importância e reconhecimento no contexto e na relevância social dessas instituições. Portanto, a análise da participação dessas atividades no planejamento de uma universidade pública mostra-se relevante para a compreensão de como a Extensão se relaciona com o Ensino e a Pesquisa, e impacta no ambiente universitário e na sociedade. Essa participação pode ser identificada por meio das ações, políticas e diretrizes previstas no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) dessas instituições.

Acerca do planejamento nas universidades públicas, o PDI é estabelecido para ter uma duração de cinco anos, período em que a instituição deve publicizar seu conceito de trabalho e suas ações e políticas nos campos administrativo e acadêmico. Esse instrumento de planejamento é um dos principais eixos de referência para a avaliação institucional, promovida pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) (Brasil, 2004).

Nesse contexto educacional, a Bahia mantém quatro universidades públicas, criadas como iniciativa estratégica de interiorizar a educação superior no estado (Boaventura, 2009). A primeira, a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), foi criada em 1970 e autorizada a funcionar em 1976. A segunda universidade estadual e primeira multicampi, a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) foi criada em 1980. A terceira, a Universidade do Estado da Bahia (UNEB), também multicampi e presente em diversos municípios baianos, foi criada 1983. Por fim, a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) criada em 1991.

Desse modo, este trabalho apresenta os resultados de um estudo de caso exploratório, descritivo e documental, com abordagem qualitativa (Gil, 2008; Martins, 2008; Lakatos; Marconi, 2010), com o objetivo de analisar o planejamento e a execução das ações extensionistas no âmbito da UEFS, a partir do que se encontra estabelecido no PDI 2017-2022 (UEFS, 2019a), acerca dos impactos no âmbito acadêmico e na sociedade. Para tanto, o trabalho busca identificar as diretrizes das ações extensionistas na UEFS, previstas e executadas nesse instrumento de planejamento institucional.

A escolha da UEFS, como lócus de pesquisa, deu-se em função dela ter sido a primeira universidade estadual criada pelo governo baiano, idealizada como parte de uma iniciativa estratégica de interiorizar e regionalizar a educação superior no estado da Bahia. Essa estratégia está extremamente relacionada ao município de Feira de Santana, importante polo socioeconômico, educacional e logístico do interior baiano, distante 110 km da capital, Salvador (Boaventura, 2009).

A análise documental foi conduzida por meio de categorias analíticas definidas a priori, fundamentadas nas oito diretrizes da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) selecionadas, como recorte, de um total de 13 previstas no PDI UEFS 2017-2022 referentes à Extensão e Cultura. Essa escolha deu-se em função de que o planejamento e a execução da política cultural são de responsabilidade do Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA).

 

O tratamento dos dados foi realizado confrontando-se o planejamento previsto no PDI 2017-2022 com os resultados de execução registrados nos Relatórios Anuais de Atividades e os Relatórios de Gestão da UEFS, além de Resoluções normativas específicas do Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (CONSEPE), no que se refere à execução das diretrizes traçadas para a Extensão Universitária da Instituição.

A partir das diretrizes previstas no PDI UEFS 2017-2022 foi possível obter uma análise mais abrangente de como a Extensão Universitária possui grande participação nas atividades universitárias e na gestão da Instituição, contribuindo para sua relevância e expansão e demonstrando seu impacto para a sociedade.

No que concerne à primeira diretriz de fortalecer a Câmara de Extensão na perspectiva da articulação entre o Ensino e a Pesquisa, destaca-se que essa estrutura, vinculada ao Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (CONSEPE), possui relevância fundamental na discussão prévia de assuntos acadêmicos da Extensão Universitária na UEFS. Tais assuntos se converterão em políticas e diretrizes a serem aprovadas e regulamentadas por Resoluções desse Conselho.

Nesse sentido, ressalta-se a aprovação de Resoluções normativas do CONSEPE, relativas a importantes ações da Extensão Universitária na UEFS, no período pesquisado. A título de exemplificação, citam-se: a Resolução CONSEPE nº 129/2019 (UEFS, 2019b), que regulamenta a curricularização das atividades de Extensão nos cursos de graduação; a Resolução CONSEPE nº 127/2020 (UEFS, 2020b), que aprova a alteração do Regulamento de Extensão Universitária; e a Resolução CONSEPE nº 057/2021 (UEFS, 2021b), que fixa normas para o Programa Institucional de Bolsas de Extensão (PIBEX), revogando a Resolução CONSEPE nº 110/2010 e regulamentando o funcionamento do Comitê Interno de Bolsa de Extensão (CIBEX).

O fortalecimento da Câmara de Extensão, enquanto estrutura vinculada ao CONSEPE, representa a consolidação da indissociabilidade entre as bases do tripé universitário. Analiticamente, a atuação dessa instância no período de 2017 a 2022 demonstra que a Extensão na UEFS não é meramente administrativa, mas sim uma ação política e acadêmica deliberada. A aprovação de resoluções estruturantes evidencia que essa diretriz cumpriu o papel de prover o arcabouço normativo necessário para que a Extensão pudesse ser executada com segurança jurídica e impacto acadêmico.

Como destaca Severino (2009), um dos desafios da extensão é a superação da priorização excessiva da Pesquisa. Dessa maneira, com a institucionalização dessas normas, a UEFS eleva a Extensão ao mesmo patamar de relevância das demais atividades fins, garantindo que as ações sociais possuam respaldo institucional sólido para sua continuidade e financiamento.

Quanto à segunda diretriz de incentivar a inserção curricular da Extensão nos cursos de graduação, como forma de integração ao Ensino, contribuindo para a formação crítica de estudantes a partir de experiências de contato com a realidade social da região, tomou-se como base a implementação da curricularização na Instituição. A curricularização da Extensão está sendo realizada na UEFS, constituindo-se uma diretriz em consolidação visando à promoção de impactos na formação do discente e na transformação social, definida em Instrução Normativa da PROEX nº 01/2022, como "[...] a inclusão de atividades de extensão no currículo dos Cursos de Graduação, indissociáveis do ensino e da pesquisa, devendo envolver componentes curriculares, disciplinas, programas e projetos [...]" (UEFS, 2022a, p. 1).

A normatização institucional é outro aspecto relevante da curricularização, efetivada por meio da Resolução CONSEPE nº 129/2019 no que se refere aos cursos de graduação da UEFS. Esse processo objetiva integrar a Extensão ao Ensino, contribuindo, sobremaneira, para a formação crítica dos discentes, a partir de experiências de contato com a realidade social local e regional (UEFS, 2019b).

A ocorrência da curricularização atende a essa diretriz, principalmente como forma de integração ao Ensino, pois transcende a mera alteração burocrática dos projetos pedagógicos. Em 2022, num total de 30 projetos pedagógicos, 6 (20%) haviam sido finalizados. Em 2023, dentre 31 projetos pedagógicos, 18 (58%) estavam finalizados. Analiticamente, observa-se que o avanço na finalização de projetos pedagógicos, demonstra uma mudança de paradigma na formação discente. Embora essa diretriz ocorra de forma parcial, visto que a finalização não alcançou a totalidade dos projetos e programas, a curricularização encontra-se em curso, com a intenção da PROEX de criar uma coordenação específica para abordar esse assunto (UEFS, 2023a).

Com a inserção curricular, integrando a Extensão ao Ensino de forma indissociável, a instituição assegura que o estudante confronte a realidade social local e regional. Esse movimento consolida a Extensão como ferramenta de transformação social, uma vez que a prática acadêmica passa a ser pautada pela formação crítica de estudantes a partir de experiências de contato com a realidade social da região, como apontado por Freire (1983) e Silva (2020).

No tocante à terceira diretriz de dar continuidade à visibilidade dos trabalhos extensionistas em âmbito local, regional e nacional, verificou-se que a PROEX tem promovido eventos de relevância, a exemplo da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), um evento de alcance nacional que conta com a apresentação de trabalhos por parte de docentes e discentes.

Realizada desde 2004, a SNCT visa mobilizar crianças e jovens para temas e atividades de ciência, tecnologia e inovação. As ações são coordenadas, nacionalmente, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com a colaboração de instituições públicas e privadas, universidades, museus, fundações de amparo à pesquisa, parques ambientais, jardins botânicos e zoológicos, secretarias estaduais e municipais e outras entidades ligadas ao tema, ocorrendo em todo o país. Na UEFS, a SNCT é coordenada pela PROEX em parceria com a Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC-BA), envolvendo, principalmente, estudantes do ensino fundamental e médio das redes pública e privada (Mota Júnior, 2024).

Outro evento importante da Extensão é o Festival Literário de Feira de Santana (FLIFS), que nasceu do desejo de educadores em reunir pessoas e despertar instâncias públicas, privadas, religiosas e filantrópicas para a importância da formação leitora na sociedade, principalmente na comunidade feirense e regiões circunvizinhas, possibilitando o acesso de pessoas excluídas ao universo da leitura e às atividades culturais (Mota Júnior, 2024).

O impacto social local e regional desse Festival é extremamente relevante, especialmente pela formação de leitores, a partir da entrega do vale-livro, uma política pública de aporte financeiro do Governo do Estado e da Prefeitura Municipal de Feira de Santana. Esse vale permite que estudantes da educação básica, de suas respectivas redes, possam adquirir livros nas editoras, livrarias e distribuidoras participantes do evento (Mota Júnior, 2024). Essa política funciona como um mecanismo de redistribuição de renda e acesso cultural para grupos sociais excluídos do universo da leitura.

O FLIFS tornou-se Patrimônio Cultural Imaterial do Estado da Bahia, instituído pela Lei Estadual nº 13.934/2018, evidenciando sua notoriedade ao consolidar-se como um evento relevante para a reunião de pessoas em torno da leitura, da arte, da cultura e do entretenimento, constituindo-se em uma ação sociocultural local e regional para todas as idades (Mota Júnior, 2024). Essa institucionalização valida a eficácia do planejamento extensionista em ultrapassar os muros da universidade, gerando um legado cultural para todas as idades e consolidando a UEFS como ator central no desenvolvimento regional.

Acerca da quarta diretriz de aperfeiçoar o processo de normatização para a organização de eventos e dos critérios para a liberação de recursos, observou-se que os eventos internos de Extensão passaram a ser registrados seguindo a Instrução Normativa PROEX nº 02/2021 (UEFS, 2021a). Essa norma estabelece procedimentos para tramitação, acompanhamento, solicitação de apoio e relatório de atividades, considerando que há eventos com ou sem vínculo com projetos e/ou programas normalizados por Resolução do CONSEPE.

Atualmente, o registro dos eventos extensionistas é realizado por meio do Sistema Eletrônico de Informações do Estado da Bahia (SEI Bahia). Antes de iniciar o procedimento de registro, a PROEX verifica quais recursos podem ser liberados para a realização do evento (a exemplo de passagens aéreas e hospedagens para palestrantes, materiais de consumo e impressões gráficas) (UEFS, 2024a).

Essa transição no registro de eventos confere maior segurança jurídica e transparência ao processo de liberação de recursos para a Extensão. Analiticamente, a padronização não é meramente procedimental; ela funciona como um filtro que assegura que o apoio financeiro (passagens e materiais) seja direcionado a atividades que atendam aos critérios institucionais, otimizando o orçamento público para o impacto social.

A quinta diretriz de consolidar de rotinas que deem efetividade ao arcabouço normativo da Extensão, permitindo o fluxo de informações, submissão, registro, seleção, acompanhamento, avaliação e divulgação de atividades, projetos e programas, em um ambiente computacional integrado a todo o sistema acadêmico e administrativo da UEFS, foi efetivada com a criação do Sistema SISTEX, implantado a partir de junho de 2022. Posteriormente, esse sistema foi atualizado para o Novo SISTEX, em setembro de 2024.

Este sistema informatizado possibilitou o cadastramento de programas, projetos e cursos de Extensão por parte de docentes da UEFS, além de propiciar um melhor acompanhamento dos relatórios de realização dessas atividades para sua disponibilização. No entanto, o Novo SISTEX ainda não permite o cadastramento de eventos, mas a tendência é que isso venha a ser implementado (UEFS, 2023a). Consequentemente, pode-se concluir que a implementação do referido sistema tem contribuído para o atendimento da correspondente diretriz, embora não em sua totalidade, visto que o Novo SISTEX é recente e ainda tem muito a contribuir para o planejamento acadêmico da Extensão na UEFS.

A implementação do SISTEX e sua atualização para o Novo SISTEX representam uma modernização da gestão universitária. Este sistema é essencial para a rastreabilidade das ações, permitindo um acompanhamento quantitativo e qualitativo dos relatórios de Extensão, o que qualifica o planejamento estratégico da Instituição ao centralizar dados que antes estavam dispersos.

No que dispõe sobre a sexta diretriz de ampliar os recursos internos para financiamento de projetos, tratando especificamente da Extensão, uma ação importante foi a implementação do Programa Interno de Auxílio Financeiro a Projetos e Programas de Extensão (PIAFPPEX), criado por meio da Resolução do Conselho Universitário (CONSU) nº 079/2022 (UEFS, 2022b). Este programa visa conceder recursos financeiros aos coordenadores de programas e projetos, com valores de R$10 mil para projetos e R$15 mil para programas. O primeiro edital desse Programa foi lançado em 2023, com execução em 2024, e o segundo foi criado em 2024 para execução em 2025. No ano de 2023, para otimizar o fluxo das ações de Extensão, a PROEX contemplou 21 projetos e 20 programas, em um investimento que totalizou um montante de R$ 500.000,00 (UEFS, 2023a).

Na operacionalização desse programa, os termos de outorga são disponibilizados por meio de edital próprio e anual, a partir das determinações da Instrução Normativa Reitoria nº 01/2024 (UEFS, 2024b). Os coordenadores apresentam um plano de trabalho a ser executado e um plano de recursos. Ao final de 12 meses, eles prestam contas do valor concedido e devolvem o saldo não utilizado.

Dessa forma, pode-se concluir que este programa interno, mesmo com pouco tempo de implantação, tem contribuído para o atendimento da diretriz correspondente, ainda que parcialmente e em fase inicial, marcando uma mudança estrutural na sustentabilidade das ações extensionistas e mitigando o problema da precarização apontado por Fontenele (2024). Este auxílio é fundamental para que projetos de impacto local saiam do campo das ideias e ganhem operacionalidade.

Concernente à sétima diretriz de intensificar a articulação com o FORPROEX, visando à captação de recursos externos para financiamento das atividades extensionistas, destaca-se a participação ativa da PROEX nos Fóruns Regionais e Nacionais da Extensão Universitária no Brasil, sobretudo nas reuniões do FORPROEX, bem como na Câmara de Extensão da Associação Brasileira de Reitores(as) de Universidades Públicas Estaduais e Municipais (ABRUEM).

Em 2023, a PROEX esteve presente nos seguintes eventos: no II Encontro de Extensão da ABRUEM, entre 25 a 27/04, em Florianópolis (SC); no Encontro do FORPROEX Nordeste, na Universidade Federal do Cariri, em Juazeiro do Norte (CE), de 31/05 a 02/06; no 51º Encontro do FORPROEX Nacional, na Universidade Federal do Pará, entre 20 e 22/06; no III Encontro de Extensão da ABRUEM, em Recife (PE), entre 29 e 30/11; e no 52º Encontro do FORPROEX Nacional, na Universidade Federal de Goiás, de 12 a 14/12 (UEFS, 2023a).

Dessa maneira, a partir dessa participação, a atuação da PROEX nesses eventos tem contribuído para o atendimento dessa diretriz, no sentido de articular a UEFS nesses espaços de discussão, o que pode proporcionar a realização de parcerias importantes. Assim, a UEFS não apenas busca captação de recursos, mas troca experiências metodológicas que enriquecem o fazer extensionista local com perspectivas de outras universidades públicas brasileiras.

Em se tratando da última diretriz de dar continuidade aos eventos institucionais, como o FLIFS, a SNCT e a Feira do Semiárido, além do Festival de Sanfoneiros, do Bando Anunciador, da Caminhada do Folclore e do Aberto do CUCA; verificou-se que o FLIFS tem ocorrido anualmente desde 2007. Em 2020 e 2021, devido à grave situação provocada pela Pandemia da Covid-19, sua realização se deu de forma virtual. Quanto à SNCT, ocorreu na UEFS também virtualmente em 2020 e 2021, retornando ao formato presencial em 2022 (UEFS, 2023a).

No que se refere à Feira do Semiárido, em regra, sua realização deveria ser bianual, e sua última edição ocorreu em 2018. A UEFS vinha realizando esse importante evento desde 2003, com o objetivo de ampliar o espaço de discussão sobre os saberes, fazeres, problemas, desafios e potencialidades regionais, oportunizando reflexões acerca de ações de viabilização e de concretização de alternativas para o desenvolvimento sustentável da região do Semiárido. Em 2020, a Feira deveria ter sido realizada presencialmente, porém, em virtude da Pandemia, não foi realizada. Esse evento foi o único que sofreu processo de descontinuidade no período pesquisado, o que sugere um desafio para a gestão, pois representa uma oportunidade para retomar o debate sobre o desenvolvimento regional sustentável (UEFS, 2023a; Mota Júnior, 2024).

A manutenção desses importantes eventos revela uma resiliência institucional notável, pois a UEFS mantém o compromisso com a Extensão como um campo de aplicação dos conhecimentos produzidos na academia. Por sua vez, cabe destacar que os demais eventos mencionados na diretriz, mas não discutidos aqui, não são vinculados à PROEX.

 

Dessa maneira, apesar dos desafios enfrentados por essa universidade pública, como enfatizado por Severino (2009) e Fontenele (2024), pode-se inferir que as oito diretrizes destacadas foram efetivadas pela PROEX, proporcionado resultados da Extensão Universitária que contribuem para a relevância social da UEFS e, portanto, de forma contínua como abordado por Freire (1983), Wanderley (2003) e Silva (2020).

Este trabalho apresenta os resultados de estudo com o objetivo de analisar o planejamento e a execução das ações extensionistas da UEFS, no que se refere aos impactos no âmbito acadêmico e na sociedade, em que foi realizada uma análise das diretrizes previstas no PDI 2017-2022. Esse é um instrumento considerado imprescindível para se pensar e realizar o planejamento institucional, de forma eficaz e condizente com as atividades universitárias, além de fortalecer a universidade pública.

Consequentemente, foi possível obter dados e informações para visualizar o contexto da Extensão Universitária dessa universidade pública do interior da Bahia, em que foram apresentadas as ações executadas que resultaram de 8 diretrizes estabelecidas em seu planejamento institucional.

Apesar dos desafios enfrentados pela universidade pública, o sucesso na execução dessas diretrizes e ações contribui para o pleno exercício do planejamento, proporcionando relevância social e impacto para o ambiente universitário e, consequentemente, para a sociedade. Além disso, revela que a Extensão universitária na UEFS vem superando a visão puramente assistencialista para consolidar-se como um agente de construção do conhecimento para mudança social.

Por outro lado, este trabalho apresentou algumas limitações e, como proposta para futuros estudos, sinaliza-se a necessidade de aprofundar a discussão sobre como a execução dessas diretrizes impacta no processo de formação dos acadêmicos e na aproximação com a sociedade, reforçando a importância do desenvolvimento do planejamento. Além disso, estudos posteriores poderão explorar os desafios enfrentados pela Instituição para colocar em prática as diretrizes e ações planejadas, a exemplo da curricularização da Extensão a partir das proposições estabelecidas pelo Ministério da Educação (MEC), além de outras questões importantes.

 

Por fim, recomenda-se ainda a possibilidade de investigação das demais diretrizes propostas no PDI UEFS 2017-2022 para o âmbito da Cultura, bem como a realização de um estudo comparativo entre as Universidades Estaduais da Bahia (UEBA) nesse escopo pesquisado.

Abstract

This work presents the results of an exploratory, descriptive, and documentary case study that analyzes the planning and execution of the extension guidelines and actions provided in the Institutional Development Plan (PDI) of the State University of Feira de Santana (UEFS), for the period from 2017 to 2022, regarding their impacts within the academic scope and on society. Regarding the results, out of the thirteen Extension and Culture guidelines provided in the 2017-2022 PDI, eight were analyzed that were directly linked to the Pro-Rectory of Extension (PROEX) of the Institution, providing results of social relevance and impact for the university environment and, consequently, for society, and contributing to the full exercise of planning in a public university.

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